Depressão? Zero preconceito!

O preconceito contra a doença fecha os nossos olhos para um problema que é muito óbvio no nosso dia-a-dia.

O termo depressão, na linguagem comum, é utilizado para designar tanto um estado de tristeza, quanto um sintoma, uma síndrome e uma ou várias doenças.

A depressão (doença) é mais comum do que você pode imaginar, aliás é muito comum, estima-se que nos atendimentos primários de saúde ela seja responsável por 5-10% dos cuidados e que em 2020 será a maior causa de incapacidade do mundo. Logo ali, em 2020, será a causa mais comum de incapacidade, isso mesmo, vou repetir, em 2020 será a causa mais comum de incapacidade. Estima-se que a cada 3 pessoas 1 pessoa tenha sintoma depressivo, sendo as mulheres 2 vezes mais acometidas.

Eu não estou falando daquele sentimento comum de tristeza que se constitui na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades, aquela tristeza que é uma resposta adaptativa do organismo. Mas da tristeza que se associa com uma melancolia diferente do normal. E uma das piores coisas que acompanha uma pessoa com depressão é o estigma social que vem junto. O problema só se agrava quando o paciente além te ter que lidar com o sentimento constante de tristeza, o negativismo, ainda tem que lidar com a pressão social. É muito comum que os familiares e amigos próximos condenem o doente dizendo que ele é preguiçoso, que ele não se ajuda, que alimenta pensamentos negativos, mas o que acontece é o inverso, é a doença que faz a pessoa ficar assim.

Existe uma expectativa de que muita gente com depressão está sem diagnóstico, sem tratamento e tem muita gente com medo de se tratar apesar dos tratamentos efetivos. Preconceito?

Até que a pessoa se dê conta que está doente ela já passou muito tempo sem qualidade de vida e com comprometimento no trabalho, no lazer e na sua família. Quando ela recebe o diagnóstico ou fica com medo das medicações ou fica com medo de ser julgada e boa parte dos pacientes omitem que está com depressão e/ou se tratando. Muitas vezes os sintomas de indisposição, insegurança, falta de prazer, raiva, e outros, são considerados pelos pacientes e até pelos próprios médicos como devidos a circunstâncias sociais. Contudo, temos que ter em mente que a depressão tem alto potencial de morbidade e mortalidade, sendo responsável, por até 50% dos casos de suicídio e piorando outras doenças clínicas, além de predispor a mais consumo e abuso de substâncias. Como se não bastasse, a depressão ainda reduz a capacidade de experimentar emoções positivas.

A vida sozinha já traz diversas dificuldades para serem superadas, manter relacionamentos, arranjar emprego, cuidar dos filhos, da casa, se preocupar consigo mesmo, imagine a vida de uma pessoa que sofre de depressão e ainda tem que lutar contra o preconceito?  

Sempre reforço que depressão não é frescura, não é falta de vontade, preguiça, falta de caráter, depressão é uma doença, pode acontecer com qualquer um. Portanto, passar essas informações adiante fazem a diferença, aumenta a chance de uma pessoa buscar tratamento e reduz o estigma.

Referências Bibliográficas:
  1. Del Porto, José Alberto. Conceito e Diagnóstico. Brazilian Journal of Psychiatry, vol.21  s.1, São Paulo, 1999.
  2. Kohls E, Coppens E, Hug J, Wittevrongel E, Van Audenhove C, Koburger N, Arensman E, Székely A, Gusmão R, Hegerl U. Public attitudes toward depression and help-seeking: Impact of the OSPI-Europe depression awareness campaign in four European regions.J Affect Disord. 2017 Aug 1;217:252-259.

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